segunda-feira, 12 de julho de 2010

ORFICO. Ison,

Estou iniciando a exposição da escrita imagética, "Sistema ORFICO. Ison," Vencedor do Prêmio Expanção e Compartilhamento - apoiado pelo Sistema Nervoso do Estado da Bahia - 2009.

Alguns dizem que parece um conto, outros afirmam ser uma peça de teatro ou uma coreografia...

Aos poucos imagens-palavras e fotografias narradas vão construindo caminhos tão pessoais em todos os corpos do corpo.
O leitor se encaixa nos mínimos espaços das palavras/letras, questionando-se constantemente sobre a complexidade dos caminhos apresentados e em constante movimento (crise em Grego) cheira, sente, corrige, se desprende e prende-se ao continuado.

Obs:
Siga gostoso e leve.






- CAPA -

foto: aldren lincoln





- CAPITULO 01-

NEURAL OVÁRIOS <<


Uma organização viva, habitada por mulheres-relacionais com capacidade de reprodução independente.


Esta sociedade democrática e tabelada possui um solo assimétrico e gelatinoso, de cor viva e sem efeito nocivo, irrigado mensalmente num ritual plácido de continuidade e boas vindas - um momento de renovação para todas relacionais.






Neste ritual a lua se aproxima do terceiro sol, as centenas de milhares de estrelas passadeiras cruzam o horizonte no sentido anti-horário e o chão vermelhaço e gelatinoso entra em meia ebulição. É temporariamente proibido comer abacaxi de coroa amarela, tomar banho de piscina com biquíni latino-americano e vestir branco puro. As relacionas se voltam para o centro num grande circulo com os membros inferiores em segunda posição, como no ballét, coluna ereta, seios inchados, face neutra e palma das mãos para cima, mediando coletivamente à gravidade e o Fluxo de Revolução Continua para um novo ciclo relacional.











O ritual foi iniciado...


.






Agora o ar inspirado é comparado ao evaporador meio-dia do verão soteropolitano - não se escuta o trânsito caótico ótico da trópole metrópole, o choro incessante e movediço da relacional com cárie em reprodução, nem sequer a respiração da yogin histérica com pelos pubianos encravados...











- Prepare-se.


Começou o primeiro dos cinco dias de resistência, prazer indizível e (dês)cuidado ético telepático.

O dia segue tranqüilo e escuro para as relacionais que se concentram de olhos e ouvidos fechados, na meia ebulição do chão vermelhaço surgem gotículas de colores incríveis nos cílios das relacionais, que piscam com o abraço da luz dos três sois da primavera caliente de setembro.

- Oi, sou Laura Aura!

- Me apresento à sociedade nesta primavera, no adeus do segundo sol.

- Escolhi Laura Aura porque gosto de cantarolar.

- Sim, cantarolar!

- Gosto de ouvir o abrir dos bons caminhos...

- Agora se despede dos olhos ocidentais o primeiro sol. Tenho que me preparar. E como me conheço, respirarei em cinco tempos com os dedos entrelaçados, socarei três vezes meu externo para forjar o alívio e seguirei de fórceps.

- Oi, sou Laura Aura!

Segundo Dia

O brilho se aproxima após a noite de cantata dos Galos Reis. Os peixes se aproximam dos anzóis no Rio Vermelho e os fogos de artifício anunciam um dia de oferenda, agradecimentos e petições.

São escolhidas a cada quatro horas, cinco novas LACIS - são relacionais comprometidas com a experiência de cuidar de si e das outras. A função das LACIS no ritual é de secar a sede do espaço, colher as novas habitantes relacionais, incluindo Laura Aura, e em seguida despertar as super aquecidas para regular seu ciclo evolutivo, caso contrário, sofrerão distúrbios no ciclo posterior, podendo até, ficar fora do ritual, obrigadas a caminhar descalças na tarde dos três sois em direção a nascente do Rio Vermelho.

Laura Aura ainda arredondada e com gravidade lunar, se apresenta de modo diferente as LACIS no momento da colheita.

- Oito, exatamente oito, se perderam.

- Não sei exatamente o local, mas não houve ruído algum de lá pra cá.

Estamos no momento mais delicado do ritual.

O Terceiro Dia

Todas relacionais se apresentaram como LACIS e faltam dois dias para findar o rito, a metodologia mais bem sucedida é a de colocar vasos de vidro com tonalidades de azul na cabeça, pois o azul promove um fluxo alimentação constante até o quinto dia.

- O terceiro sol esperou a lua para deixar-nos.

- A lua está parecida com aquela do gato, lembra? É o gato da relacional Alice.

- Vejam.

O Quarto Dia

Inicia-se vívido o som das ondas na Pedra da Sereia, com sombras bem marcadas pelos sombreiros e coqueiros baianos, o cheiro é muito forte, as cores são vibrantes e misturadas, são como cores angolanas...

... É uma dor respirada, sem níveis físicos, tampouco automedicados.

- Não.

- Não foram garras afiadas de mãos fortes e delicadas que me marcaram na noite do diálogo canino que se estendia da Vila Matos ao Auto de Ondina, audível e bem localizado.

- Laura Aura é gritada pelas LACIS. Grito pro alto e de boca toda.

- Recebi, responde Laura Aura gritando com os braços abertos.

- Por quanto tempo?

- Tempo é nada na espera, corre e verás como tudo mudará quando parar. Depois de um forte giro pro alto, Laura Aura se lança a observar o horizonte, como no Pai Inácio. Ah!

Alinharam-se os sois e as nuvens se reúnem obedientes de tanta tranqüilidade, são nuvens de calor, bem redondas, lentas como que lerdas depois de muito THC.

- Eu sou Laura Aura. Estou ainda novata nas vontades.

Desejo muitas coisas absurdas pra quem já vive. E sei o que vamos fazer hoje. Vamos fazer o parto do quinto dia.

- Primeiro, temos que escolher um lugar inesquecível, dividido e complexo.

- Certo. Depois colocamos tudo num recipiente dourado com 50% de transparência, sacolejamos a cintura com o dourado equilibrado na testa e sorrimos com dentes, línguas, salivas e as sobras do bombom de chocolate meio amargo com avelã e menta da caixinha mágica.

- Ah. É séria a coisa. Tenho umas dores no intra-externo que não são resolvidas com analgésico ou arnica. Sempre que reflito sobre a dor, penso na distribuição do cérebro e do coração no corpo, não poderia ser mais distante? Algo do tipo, coração nos pés, amaciados e cansados no fim do dia.

- E o cérebro?

- Ah, deixa na cabeça mesmo, enxaqueca tem remédio pra aliviar a dor. O que desestabiliza meu eixo fica no peito.







sexta-feira, 11 de junho de 2010


noite de larva na cidade, o caos ja passou, mais os humanos caóticos não passaram.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Abrindo a janela para respirar melhor



As decisões sempre tiram pedaços, podendo acrescentar novas decisões e novas mortes, mais revisitar as possibilidades até escolher a melhor não pelo egoísmo, mais pelo todo é o que mais me faz feliz na dor.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Minha corbiente


Verdiferente
Amarelou
Rosalinda
Vermelholha
Cinzaqui
Dourador
Brancor
que possíbilita fazer